Espanha x Itália: reunião da UE sobre crise em Ceuta opõe países sobre o que fazer com imigrantes
‘Sofremos abusos em Ceuta’, diz migrante marroquino que chegou à cidade após travessia A Espanha se opôs a uma proposta da Itália para enviar imigrantes...
‘Sofremos abusos em Ceuta’, diz migrante marroquino que chegou à cidade após travessia A Espanha se opôs a uma proposta da Itália para enviar imigrantes ilegais na União Europeia a centros de deportação em países terceiros (localizados fora de seu território, afirmou nesta terça-feira (4) o ministro do Interior espanhol após uma reunião do bloco para discutir a crise migratória em Ceuta. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A reunião ocorreu após a entrada ilegal a nado de dezenas de milhares de migrantes africanos vindos de Marrocos no exclave espanhol no norte da África - o que causou uma crise política na União Européia. O encontro reuniu ministros do Interior de países-membros do bloco europeu para discutir as consequências do incidente e novas medidas para reforçar as fronteiras externas do bloco. Durante a reunião, o ministro espanhol Fernando Grande-Marlaska se opôs a uma proposta apresentada pela Itália, que sugeria usar recursos da UE para financiar centros de deportação em países terceiros para onde imigrantes ilegais poderiam ser levados. 👉 Grande-Marlaska também atualizou para 72 mil o número de africanos que entraram ilegalmente em Ceuta, e acrescentou que 70 mil já foram devolvidos ao Marrocos. O incidente deixou 75 mortos, a maioria deles afogados no mar Mediterrâneo. Tráfico humano e desinformação nas redes O comissário da UE responsável pelos assuntos internos e migração, Magnus Brunner, afirmou nesta terça que os representantes dos países manifestaram total solidariedade à Espanha durante a reunião. Brunner disse também que a reunião foi importante para confirmar que nenhum dos africanos que entraram em Ceuta chegaram à Europa continental e que o incidente no exclave espanhol foi incitado por redes de tráfico humano campanhas de desinformação nas redes sociais. Segundo Brunner, o continente "teve sua resiliência desafiada" com a crise em Ceuta e passou no teste com atuação rápida e solidariedade, e resistiu à desinformação. A Dinamarca, que durante a crise havia criticado a Espanha e defendido a suspensão do país ibérico no Espaço Schengen, mudou de tom e disse estar "muito satisfeita" com a resposta do governo espanhol em Ceuta. LEIA TAMBÉM Centenas de crianças migrantes ficam retidas em Ceuta, na Espanha, após travessia em massa SANDRA COHEN: Caos em Ceuta fortalece discurso anti-imigração e municia partidos de extrema direita na Europa e nos EUA 4 perguntas para entender a nova crise migratória em Ceuta, enclave espanhol na África Consequências da crise migratória em Ceuta Militares escoltaram migrantes em Ceuta após as recentes travessias em massa de migrantes vindos de Marrocos REUTERS A presença de menores desacompanhados agravou o impasse humanitário. Autoridades locais estimam que 862 crianças e adolescentes migrantes estejam em Ceuta, sob proteção legal especial contra deportação. Dois centros de acolhimento, um para adultos e outro para menores, entraram em colapso diante da demanda. A crise também abriu uma disputa política dentro da própria União Europeia. A Itália suspendeu por um mês a livre circulação com a Espanha no Espaço Schengen, retomando controles em viagens aéreas e marítimas entre os dois países. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou a medida e acusou governos europeus de reagirem de forma egoísta e polarizadora. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tentou reduzir as tensões ao agradecer à Espanha pela atuação na crise e afirmar que Madri agiu de forma eficiente para impedir o deslocamento dos migrantes para a Europa continental. Ela também defendeu que o bloco faça mais para reforçar pontos críticos de suas fronteiras externas, com maior vigilância, barreiras físicas e apoio da Frontex. Segundo a colunista do g1 Sandra Cohen, o caos em Ceuta fortaleceu o discurso anti-imigração e forneceu munição a partidos de direita e extrema direita na Europa e nos Estados Unidos. Para ela, as imagens da travessia e do desespero dos migrantes passaram a ser exploradas politicamente por lideranças que buscam associar imigração a medo, desordem e insegurança, isolando Sánchez em um momento de forte pressão sobre a política migratória espanhola. Mapa mostra localizações de Ceuta e Melilla, exclaves espanhóis na África, em meio a crise migratória em julho de 2026. Dhara Pereira e Lara Bernardino/Arte g1