Chefe da UE convida Canadá para ser 1º 'membro associado' do bloco

Chefe da União Europeia convida Canadá para se tornar o 1º 'membro associado' do bloco A chefe da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta quarta...

Chefe da UE convida Canadá para ser 1º 'membro associado' do bloco
Chefe da UE convida Canadá para ser 1º 'membro associado' do bloco (Foto: Reprodução)

Chefe da União Europeia convida Canadá para se tornar o 1º 'membro associado' do bloco A chefe da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta quarta-feira (16) que a Europa lida atualmente com um mundo "abertamente hostil" e precisa repensar suas alianças, por isso ela convidou o Canadá para se tornar o 1º "membro associado" do bloco. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em discurso anual do Estado da União no Parlamento europeu, Ursula disse que o bloco de 27 países enfrenta uma guerra em suas fronteiras, cada vez mais ataques híbridos em solo europeu, e forte concorrência dos Estados Unidos de Donald Trump e da China no comércio e em outras áreas estratégicas. "Parcerias são uma escolha estratégica, mas também respondem à fragmentação do sistema internacional baseado em regras. Precisamos urgentemente repensar nossas parcerias e construir coalizões para a resiliência e a democracia, e é por isso que convidei o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. Vemos o mundo com os mesmos olhos", afirmou a presidente da Comissão Europeia. A relação da UE com o Canadá será elevada "ao nível mais alto possível", segundo Ursula, para ajudar a Europa a manter sua independência em diversos âmbitos. Essa nova aliança buscará "criar um espaço de prosperidade comum e segurança econômica para manufatura, tecnologia, energia, IA, defesa e a questão do Ártico", afirmou. Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, cumprimenta primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, após discurso do Estado da União no Parlamento europeu em Strasburgo, na França, em 16 de setembro de 2026. REUTERS/Yves Herman Sem citar outros países, Ursula reforçou que a nova parceria estratégica com os canadenses "não é contra ninguém", mas para fortalecer mutuamente os envolvidos. Uma das nações que ela pode ter evitado de citar aqui é os EUA, vizinhos do Canadá e com os quais tanto Ottawa quanto a UE travam tensões econômicas e geopolíticas atualmente. Durante seu discurso, Ursula von der Leyen disse também que "as ameaças estão se multiplicando em solo europeu e se tornando cada vez menos híbridas", em referência à Rússia, o que leva a UE a precisar de um novo plano de emergência. A presidente da Comissão Europeia também afirmou que o bloco precisa de novos planos para lidar com eventos de migração em massa e para combater os efeitos do calor extremo no continente, além de propor proibir redes sociais para menores de 13 anos. Aliança com o Canadá Agora no g1 Ainda não havia sido divulgado até a última atualização desta reportagem maiores detalhes sobre o que significaria ou como funcionaria para o Canadá, um país que geograficamente não é europeu, assumir o posto de "membro associado" da UE. Como se trata de uma novidade, o regimento do bloco europeu ainda não prevê regras sobre essa dinâmica, por exemplo como funcionaria na prática, quem precisaria aprovar a adesão do Canadá ou quanto tempo esse processo poderia levar. O convite de Ursula ao Canadá ocorre após semanas de uma maior aproximação do país norte-americano com o bloco europeu, por conta de ambos travarem tensões com o governo Trump e compartilham preocupações com a ameaça da hegemonia mundial do Ocidente ante o crescimento da China e da Rússia. Von der Leyen enfatizou que o Canadá é um parceiro forte e disse que a parceria ampliada abrangeria manufatura avançada, tecnologia, produção de defesa, o Ártico, energia, minerais críticos, baterias, inteligência artificial, computação quântica, cibersegurança e segurança econômica. Antes mesmo do convite, o Canadá já havia se tornado o primeiro país não-europeu a aderir ao programa de defesa da UE, o SAFE, um instrumento de 150 bilhões de euros (R$ 890 bilhões) que concede empréstimos para impulsionar a produção do setor de Defesa. A adesão ocorreu neste ano e deu acesso às empresas canadenses ao fundo. O premiê canadense, Mark Carney, estava presente no Parlamento europeu em Estrasburgo, na França, e foi calorosamente aplaudido pelos políticos presentes ao chegar para ouvir o discurso de von der Leyen. A chefe da UE se aproximou dele e o abraçou após mencionar a questão da "associação" do Canadá, e Carney recebeu uma ovação de pé do plenário. Nos últimos meses, o Canadá vem buscando reduzir sua dependência dos EUA, destino de cerca de 70% de suas exportações, em meio a repetidas tarifas aplicadas por Trump e suas repetidas ameaças de transformar o país no "51º estado dos EUA". Ameaças híbridas Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e presidente da Rússia, Vladimir Putin. Yves Herman/Reuters/Alexander Kazakov/Pool/AFP A chefe da UE afirmou que "as ameaças híbridas estão se multiplicando em solo europeu, e se tornando cada vez menos híbridas", o que obriga o bloco a pensar em um novo plano de emergência. Ursula não detalhou como funcionaria o plano, porém mencionou que o protocolo estabeleceria uma resposta coordenada a agressões, dissuasão de escaladas e uma reunião imediata de todos os países do bloco quando necessário. A Otan, aliança militar que muitos países da UE e também o Canadá integram, já tem artigos específicos detalhando reuniões de emergência e ações conjuntas em caso de agressão. Ela voltou a acusar a Rússia pelo incidente em que um drone carregado com explosivos foi encontrado no aeroporto de Leipzig, e reiterou ter sido um incidente em que agentes russos utilizaram material de nível militar em solo europeu. Moscou, por sua vez, voltou a negar nesta quarta-feira qualquer envolvimento com o incidente em Leipzig e acusou a Otan de fabricar uma acusação contra o país "para justificar gastos em massa para militarização alemã". Europa sob pressão: 'guerra de drones' entre Rússia e Ucrânia já afetou mais de 20 países; MAPA Plano contra migrações em massa Ursula afirmou que o bloco precisa ter um novo plano de ação para eventos de migração em massa, tal como ocorreu em Ceuta em julho, quando cerca de 50 mil imigrantes africanos atravessaram a nado a fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol. Ela prometeu reforçar o Frontex, o serviço de fronteiras conjunto da União Europeia, e aumentar o foco no retorno dos imigrantes a seus países de origem. Chegada de imigrantes pelo mar em Ceuta é inédita e viola a soberania territorial da Espanha, diz premiê espanhol Crítica a Israel Em seu discurso, von der Leyen também criticou Israel por manter seu expansionismo na Cisjordânia e afirmou que "é papel da Europa manter viva a chama da solução de dois Estados". "A decisão do governo israelense de avançar com o projeto de assentamento ilegal E1 é inaceitável", afirmou. SANDRA COHEN: Boicote da Europa a assentamentos da Cisjordânia desarma Netanyahu a um mês das eleições Reino Unido e França e mais 10 países anunciam sanções a assentamentos judaicos na Cisjordânia; Israel fecha consulado britânico

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